Reforma política e riscos democrátivos

Por Paulo Jacobina

A proposta de financiamento público exclusivo é uma proposta polêmica. Embute uma certa concepção de “pureza política frente ao poder econômico” que pode ter sérias conclusões ditatoriais: é bom sempre desconfiar de toda tentativa de “pureza política”, como demonstram os inúmeros cadáveres do século XX, executados em nome de uma “pureza estatal”, ou mesmo do fenômeno do “Estado islâmico”, no nosso tempo, que isolou completamente o domínio estatal da influência econômica em nome de seus próprios ideais de pureza. Não há financiamento privado no Estado Islâmico, como não há na Coreia do Norte. O fenômeno venezuelano também demonstra os limites da manipulação democrática. Não me parece que eles estão melhores do que nós.

Não tenho dúvidas de que nosso sistema brasileiro atual reúne, no entanto, o pior de dois mundos: 1) a doação eleitoral ilimitada de empresas que têm negócios com o Governo – ou sob o governo – e 2) a destinação de bilhões do nosso orçamento, que deveriam ir para os projetos sociais, educacionais, de saúde ou segurança, e vão para os partidos políticos, para financiar projetos pessoais e grupais de poder.

Mas estabelecer pura e simplesmente o financiamento público de campanha, sem muita ponderação, pode não acabar com os problemas e de lambuja criar outros.

(Trecho de artigo publicado originalmente em http://www.zenit.org)

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