O Elefante (Carlos Drummond de Andrade)

Eu conheci este poema pela declamação que a Adriana Calcanhotto fez em um programa do Instituto Moreira Sales (disponível no YouTube). Ele me passa uma impressão boa. Fala de nossa tentativa — quase sempre vã — de construir, artesanalmente, uma personalidade ajustada ao mundo e às expectativas das pessoas. Sugere que o material com que tentamos essa construção não é perfeitamente adequado; e o resultado dessa tentativa de ajustamento é um elefante. Queremos ser amados e apresentamos às pessoas, para seu convívio, um elefante!

Além disso, o poema parece evidenciar que cada pessoa com quem cruzamos ao longo da jornada está, por sua própria vez, tão dedicada, em seu próprio benefício, à construção de seu próprio elefante que esse exercício, que cada um de nós faz, é necessariamente solitário. O recomeço (ideia que, em forma de verbo, fecha o poema – aliás, fecha e não fecha) é sinal de que a tentativa de construção de nossa personalidade, a partir de nossos próprios recursos, nunca termina. Deve ser por isso que Manuel Bandeira disse que “[s] queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma“.

Categorias Poesia

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